4 de fev. de 2012

Assopra o tio. Começa o quebra-canela!

Um funcionário que consegue passar com sucesso por todo o período de adaptação de uma empresa, alcança com eficiência sua primeira meta e depois pede demissão. Um campo de futebol que mais parece um manguezal e um estádio que - diz que - tem estrutura pra receber torcedores, mas o alambrado não aguenta nem a faixa que a torcida pendura. Talvez nada disso seja mais estranho que uma cena de strip-tease em plena partida de futebol.

Bizarrices? Que naaada! Isso tudo aconteceu na competição que tem a maior média de gols do Brasil, embora o público não esteja muito interessado em prestigiar tantas bolas nas redes.
Esse é o Campeonato Amazonense 2012, que terá sua peculiar semana de estreia resumida só aqui, no Bola pro mato.

- Quem riu por último, Rildo Ramos

Quem diz que os clubes amazonenses são especialistas em contratar mal está redondamente enganado. Porque eles são piores na hora de demitir. Tá certo que o ex-técnico do Operário, Rildo Ramos, foi quem pediu desligamento após toda a pré-temporada do clube e a vitória por 3 a 1 sobre o Rio Negro na estreia, mas a atitude da diretoria do Sapão (como também é conhecido o time) praticamente obrigou o treinador a tomar essa decisão. Afinal, foram dois meses de salários atrasados, estrutura limitadíssima e até lei da mordaça teve. Passada a confusão, o técnico Marquinhos, que comandou o mesmo Operário no ano passado e saiu reclamando da diretoria, assumiu o comando. Crise? Nada disso! Vitória de virada sobre o São Raimundo e vice-liderança assegurada, com direito a artilheiro do campeonato e tudo. O mito é o Robemar, vulgo Robgol, autor de cinco gols em dois jogos.

Rildo Ramos (Foto: Mazinho Bezerra)

Por falar em artilheiro, não estranhem o sumiço de Bazinho, principal goleador da edição passada da competição com 11 gols. Fontes confiáveis me informaram que ele estaria negociando com o All Garrafa, do Qatar.

- Líder na lama

O Fast começou o campeonato com tudo. Líder, melhor ataque e melhor defesa. Mas pra largar bem, o Rolo Compressor (como o Fast é conhecido) precisou fazer uma terraplanagem lá no município de Careiro Castanho (a 88 quilômetros ao sul de Manaus). É que o campo do Estádio Municipal Prefeito Afonso Jacob de Souza, o Afonsão, parece que foi utilizado para um torneio de pastoreio de porcos antes do jogo contra o Iranduba. Não foi o suficiente pra segurar o time da capital, mas vejam o estado dos artilheiros da partida após o jogo.

Foto: fastclube.com.br

Júnior Lacraia, o menos sujo, marcou dois gols, enquanto Joiner, de meião preto, fez três na vitória do Fast por 5 a 1. O mais legal dessa foto é perceber que o solo não tem jeito de campo de futebol, ambos os jogadores não têm cara de jogador de futebol, o autor da foto não tem jeito pra fotógrafo e aqueles quatro torcedores fazendo pose lá atrás não têm o menor senso de estilo.

- Corram para a Colina!

    Só tem que tomar cuidado com todo o resto do estádio que não foi liberado pelo engenheiro, prefeito de Eirunepé e de vez em quando presidente da FAF, Dissica Valério. Aliás, devo dar os parabéns ao cartola, pois não foi registrada nenhuma morte após o evento que marcou o retorno do histórico estádio da Colina (ainda estou aguardando exames por suspeita de tétano). A parte coberta até que resistiu, mas o mesmo não se pode dizer do alambrado atrás de um dos gols. O local foi aproveitado pelas torcidas organizadas para pendurar faixas e...

Foto: Arlesson Sicsú
  
    Ih! Quebrou! Só com o peso da faixa, reforçado com o vento forte. O lado bom é que, do jeito que o Estádio Ismael Benigno está, a torcida já servirá de grande ajuda para o processo de demolição durante o Estadual 2012, principalmente se o time ir mal, é claro.

- Criiiiiiise no São Raimundo

    Dia 29 de janeiro de 2012. Segundo tempo do jogo entre São Raimundo e Operário, na famigerada Colina. Depois de uma jogada do Tufão na grande área do time adversário, o atacante Raí surge com a camisa um pouco ragada. 


Atacante Raí (Foto: Raimundo Valentim)
    O árbitro Celso Mota Resende, carinhosamente chamado de Coloral, não marcou pênalti. E ainda teve jogador do Operário dizendo que o atacante rasgou a própria camisa para simular a penalidade, dando a entender que rolou um strip-tease. De qualquer forma, esse foi o menor dos problemas para o time da casa. É que não havia uma camisa substituta pra ocasiões como essa. Para que o jogador pudesse retornar a partida, foi preciso aquela gambiarra.

Foto: Raimundo Valentim
   
    Um esparadrapo simulou o número 16, de Raí, na camisa 11 que era do atacante Mauricélio, já substituído aquela altura. O São Raimundo agora procura uma camisa de número 16 para o próximo jogo. Quem puder ajudar, favor entrar em contato com Seu Cláudio Silva, gerente de futebol do Alviazul. 

Gostou? Não? Então a gente mostra a classificação do campeonato pra você que leu até aqui. Pra você que curtiu, um abraço!


Fonte: penarol.com.br


Um comentário:

  1. Gostei do texto, da ironia e do fato de você ter conseguido fazer o campeonato amazonense de futebol se tornar interessante. Parabéns pelo blog!

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