30 de jan. de 2012

Guia Bola pro Mato do Campeonato Amazonense 2012

A Placar negociou, o Lance! tentou roubar e a ESPN já pediu os direitos para o próximo ano, mas só no Bola pro Mato você encontra o guia do Campeonato Amazonense 2012. Você confere agora os craques, as lendas, as maquinas mortíferas, algumas mentiras e a Ponte Rio Negro, que são apenas alguns atrativos desta peleja. Um pouco atrasado, pois o campeonato começou sábado passado - já demitimos os repórteres envolvidos.

Vamos pela ordem de classificação na edição de 2011.

- Penarol


Tá tinindo porque: É o atual bicampeão, único representante do Amazonas garantido (e caprichoso) no Campeonato Brasileiro (Série D) e a principal luz (se não a única) no fim do túnel do futebol dessas bandas.

A arma secreta: 265 quilômetros da esburacada Rodovia AM-010.

Em compensação... : Não tem acento til no N, porra!

Por que devo torcer? Além de ser disparado o time mais organizado do Amazonas atualmente, o Penarol é quem mais tem levado seus torcedores ao seu Estádio, o Floro de Mendonça. É verdade que os manauaras teriam um caminho árduo pra chegar no município de Itacoatiara (a 176 quilômetros em linha reta de Manaus) pra acompanhar todos os jogos do time, mas os torcedores da própria cidade já se encarregam de prestigia-lo em demasia. O problema é que, até maio, o estádio, que passa por reformas, atenderá a apenas no máximo 1 mil torcedores. Ainda com relação à distância, digo que é a arma secreta do clube porque viajar por 265 quilômetros sem praticamente nada no percurso, inclusive iluminação em boa parte, é, senhores, muito tenso. Os adversários que se preparem. Principalmente os da Série D, competição na qual o Leão da Velha Serpa, amigo... aaah amigo... É O AMAZONAS NO BRASILEIRÃO, AMIGO!

Foto: penarol.com.br


Apresentação do novo elenco, no início do ano. Bem ao estilo NBA. Esse da foto é o goleiro Rascifran, ídolo da torcida e filho de uma mulher com um gosto não muito bom pra nomes.

- Nacional


Tá tinindo porque: Finalmente resolveu valorizar a base e tem o técnico campeão da edição anterior, Uidemar Oliveira.

A arma secreta: O governador do Amazonas, Omar Aziz, e o ranking da Federação Amazonense de Futebol (FAF).

Em compensação... : Lembra do filme Space Jam - O jogo do século? Aquele dos Looney Tunes contra os ETs? Pois é. O Naça é tipo o time dos ETs: são imponentes, podero$o$ e costumam roubar alguns talentos. O problema é que perdem no fim. Pelo menos desde 2008 é assim ...

Por que devo torcer? O Nacional tem uma das maiores torcidas do Estado e está sempre nas cabeças do Estadual, mas isso é o de menos. Por que não torcer pro time que ganha em qualquer critério de desempate? Afinal, ter o governador do Estado como um dos mais fanáticos torcedores do seu time será sempre um bom sinal. Isso sem contar o ranking da FAF, no qual o Nacional é privilegiado quando o mesmo for utilizado como fator de desequilíbrio. Ou seja, é um time confortável para se torcer. Ou vence, ou vence aos trancos e barrancos. Isso se tratando de tapetão.

Música do filme O Podero Chefão, por favor.


- Fast Ulbra Careiro Castanho ex-Itacoatiara Clube


Tá tinindo porque: É o segundo elenco mais forte do campeonato, perdendo pro Penarol e quase empatando com o Nacional. Uma pena que não dá pra ser campeão sendo o segundo colocado.

A arma secreta: Roberto Dinamite. Calma! Não é o atual presidente do Vasco, mas se fosse o caso, sem dúvidas o Fast se tornaria o time com a maior torcida do Amazonas num estalar de dedos.

Em compensação... : Tá há 41 anos sem gritar "É campeão!". Mais uma semelhança com o Vasco, porque o que esse time foi vice durante esse período não é brincadeira.

Por que devo torcer? O Fast é aquele time forte, que até tem torcida, mas sempre termina virando motivo de chacota dos torcedores rivais. Diria que, apesar de ser comparado 873 vezes com o Vasco nesse post, o time é um Botafogo do Amazonas. Coincidência ou não, até o escudo é parecido. É só trocar algumas cores. E por mais estranho que pareça, é uma boa equipe pra torcer, porque se está sempre entre os primeiros nos últimos 41 anos e não foi campeão nenhuma vez, é sinal de que a qualquer momento pode sair da seca. Ou não, claro.

Foto: fastclube.com.br

Quase ia esquecendo de explicar a brincadeirinha com o nome. É que o Fast vai mandar seus jogos no município de Careiro Castanho (a 88 quilômetros ao sul de Manaus). De alguma forma a diretoria do clube achou interessante obrigar a torcida a viajar de barco pra ver o time jogar. Pelo menos a tripulação será comandada pelo técnico português Paulo Morgado, que pra aceitar deixar a Europa por causa de um time amazonense só pode estar a procura das índias. E dessa vez, sem enganos no percurso.

- São Raimundo

Tá tinindo porque: Resolveu apostar em jogadores jovens. No comando, ninguém melhor que o nosso querido E.T., o técnico Sérgio Duarte. Muitas aventuras por vir.

A arma secreta: Tem a dupla Bolacha e Fofão, pra animar a garotada. Isso sem contar o veterano Washington, um jogador capital para o Tufão.

Ele vai animar a molecada. Já o Bolacha promete rechear os gols adversários. HA HA HA


Em compensação... : Com o atual elenco e comissão técnica, o São Raimundo é o time de Manaus que mais inspira você a fazer piadinhas infames com nomes de jogadores, técnicos e diretores.

Por que devo torcer? Dizem que o São Raimundo tem uma torcida organizada muito mal encarada e que gosta de uma confusão. Bom, não tenho provas quanto a isso, mas se você é daquele tipo de torcedor mala, que não para um minuto nas arquibancadas e, quando perde, sai xingando todo mundo sem a menor lógica, a Colina te espera.

- Operário


Tá tinindo porque: É um time que faz jus ao nome. Profissionalizou-se em 2010, quando disputou a Série B local e subiu. Ano passado, foi quinto, sendo semifinalista no primeiro turno.

A arma secreta: Os jogadores Paca, Tapauá, Toró, Pica Pau e Smalley. Esse último promete fazer a torcida do Operário rir muito. Que engraçado.

Em compensação... : Não tem o Tatu, nem o Cotia, nem o Anão. Há pouco eu tinha dito que o São Raimundo era o time de Manaus que mais inspirava piadinhas infames com nomes. Adivinha quem é o do interior?

Por que devo torcer? Como dizem na minha terra, o Operário é um time incherido. É quase imbatível em casa e é um bom representante do interior do Estado. Se você gosta de ir pescar no fim de semana nos lagos que ficam na estrada pra Manacapuru (a 68 quilômetros a oeste de Manaus), dá uma passadinha lá no Estádio Gilberto Mestrinho. No mínimo você volta pra casa com uns bons peixes.

Foto: Blog Tarja Preta - Fernando Almeida

Tá ai o Bazinho, artilheiro do último Amazonense e que costuma deixar os zagueiros no chão lá no Gilbertão. O problema é quando chega a noite, em que ele também fica no chão, pelas mesas dos bares de Manacapuru. O apelido não é mera coincidência.

- Rio Negro


Tá tinindo porque: Não renovou com o empresário, diretor, modelo e atriz Robson Ouro Preto, que fez o time brigar bravamente a favor do rebaixamento em 2011.

Foto: Daniel Freire
A arma secreta: Mário Jarde.. OH WAIT!

Em compensação... : O Galo é um dos times mais tradicionais do Estado, mas não vence a competição desde 2001 e tem situação financeira inferior a dos demais clubes mais badalados do Amazonas.

Por que devo torcer? Alô você, meu amigo gamer viciado em jogos como FIFAChampionship Manager ou até mesmo o bom e velho Ellifoot, que sempre escolhe um time tradicional bem encrencado na realidade só pra tentar reergue-lo e se achar o salvador da pátria, o Rio Negro é ideal pra você. Mas não é só pra criar o time nos jogos, tem que ir no estádio também.

- Princesa do Solimões


Tá tinindo porque: Conta agora com o técnico Mário Aderbal Jorge Lobo Lana Zagallo.

A arma secreta: Alcoólicos Anônimos.

Em compensação... : Com um nome desses e uma cor cambando pro rosa, é forte candidato a ser considerado o São Paulo amazonense.

Por que devo torcer? Porque o velho Lana assumiu e acabou a brincadeira pros jogadores que gostam de uma cana lá nas bandas de Manacapuru. É verdade que o Operário também não escapa nesse quesito, mas como o time já tem aqueles jogadores com nomes bastante sugestivos como maior peculiaridade, o Tubarão é quem vai ostentar esse fardo. Fontes confiáveis afirmam que essa também é a justificativa pro Lana escalar o Princesa tão mal, como já aconteceu na primeira rodada e o time já pegou porrada.

Foto: Raimundo Valentim
 Calma, jovem! Calma!

- Holanda


Tá tinindo porque: Ganhou a vaga do finado América, do seu Amadeu.

A arma secreta: A Feira da Laranja, tradição do município de Rio Preto da Eva.

Em compensação... : Não tem Van Persie, Robben, Sneijder... Nem drogas ilícitas legalizadas.

Por que devo torcer? O Holanda é uma boa pedida pra torcida mais jovem. O clube é o mais novo do campeonato, tanto a instituição quanto o elenco. E olha que já disputou a Série C do Brasileirão e tudo mais... Ok! Ainda não convenci? Rio Preto da Eva, onde o clube manda seus jogos, fica só a 80 quilômetros de Manaus e tem muitos balneários. Leve seu filho pra tomar aquele banho e ainda leve-o para torcer pro Holanda. Ou jogar no time.


Foto: Reuters

Porque nada nessa vida é impossível.

- CDC Manicoré

Tá tinindo porque: Foi o campeão da Série B amazonense. Levantou um troféu há menos de dois meses, coisa que o Fast, um dos favoritos desse e de muitos outros anos, não faz há 41 temporadas.

A arma secreta: Preto, Neguinho e Beiçola, representando os afrodescendentes amazonenses, hoje carinhosamente apelidados de haitianos, ou confundidos mesmo.

Em compensação... : Pra chegar na região metropolitana de Manaus, o time precisa viajar de barco por dois longos dias. Os caras devem vir pescando tucunaré no trajeto, porque o wikipédia diz que nisso os manicoreenses são bons.

Por que devo torcer? Pelo que pude perceber na primeira rodada, o CDC tem uma torcida feminina bastante participativa. Uma boa notícia pra você amazonense que quer ir aos estádios, independente de ser homem ou mulher, independente da intensão de torcer ou paquerar.

Foto: Divulgação / CDC Manicoré

É o time do interior que tem o uniforme mais bonito do Brasil. Quer mais motivos pra torcer pra essa escrete?

- Iranduba


Tá tinindo porque: Conseguiu montar um elenco pra participar da competição.

A arma secreta: A Ponte Rio Negro.

Em compensação... : O campo do Estádio Álvaro Maranhão, onde o Iranduba deve mandar seus jogos, também é utilizado para partidas do Campeonato Amazonense 2012 de polo-aquático. Mas quem define o calendário do local é um santo chamado Pedro.

Foto: Blog do Paulo Repórter

Por que devo torcer? Porque o time tá precisando de torcida. Não tenho dúvidas de que você será muito bem tratado pelo clube se topar o desafio. Nem reclame da distância, porque a Ponte Rio Negro está ai pra ser útil na ligação Manaus-Iranduba. 
 

25 de jan. de 2012

Um 2011 memorável (Top 5)

Você deve estar se perguntando: "mas que diabos de ano memorável pro futebol amazonense foi esse?!". Pois é. É bem verdade que o campeonato local - mais uma vez - deu calo no olho do torcedor que foi aos estádios ou acompanhou tudo pela tv, sem contar que os clubes do Estado - mais uma vez - fracassaram nas competições nacionais. Foi-se a qualidade técnica, mas ficaram muitas histórias dignas de se tornarem lendas amazônicas. Ok, pode não ser pra tanto, mas se você já encontrou por ai algum craque com peito de pombo, um artilheiro de 1,53m ou um técnico que tem como principal arma a oração de joelhos na beira do campo já pode parar de ler esse post por aqui.

Já pra entrar no clima do Campeonato Amazonense, que começa no sábado (28), o Bola pro mato selecionou cinco momentos, digamos, no mímimo curiosos da edição anterior da competição. Vamos a eles!


5- Aposentadoria? Sei

No futebol, um atleta insatisfeito com seu time é capaz de fazer qualquer trambique pra rescindir seu contrato. O meia Igor, que já teve passagem pelo Flamengo em 2003, se tornou uma grande prova disso no ano passado. Vinculado a União Barbarense-SP, que disputava a Série A-2 do Paulistão - uma espécie de Peladão profissional de São Paulo, mas só que sem um monte de meninas feias num concurso de miss -, o jogador disse aos dirigentes do time que sofreu uma lesão crônica, muito grave, o que levaria ao fim prematuro de sua carreira. Solidários, os cartolas do time paulista liberaram o jogador. Mas não demorou uma semana e... Panz! Caramba! Olha só o Igor treinando no Nacional-AM e já sendo escalado entre os titulares! Nenhuma lesão, nem tempo de espera para entrar em forma. O pior é que nem deu pra fazer aquela piadinha sobre uma literal aposentadoria, porque o Igor foi, na humilde opinião do dono deste blog, o melhor jogador do Estadual 2011. Tanto é que ele permaneceu no time pra disputar a Série D e recentemente foi contratado pelo Penarol.


Foto: Arlesson Sicsú

Só acho estranho o Igor ter feito todo esse estardalhaço por causa de um time que não estava nem garantido na última divisão brasileira na época. Ou o Nacional ofereceu uma nota preta pro cara ou então ele fugiu pra não pagar alguma pensão em SP, porque sabe como é, né?

4- O menor artilheiro do Brasil

Caso alguém saiba da existência de um jogador profissional com a estatura mais baixa que a de Almirzinho, que mede 1,53m, me corrija na parte dos comentários. Ele não foi o artilheiro do Estadual do ano passado, mas foi o principal goleador de seu time na época, o Sul América, rebaixado para a lendária Série B amazonense. Não por culpa do pequeno notável, afinal, ele marcou 5 gols na competição e infernizou a zaga de muito time metido a grande. Tal como uma catita, Almirzinho mostrou velocidade e inteligência para fugir dos adversários. 
Pra que você tenha uma ideia do tamanho de Almir Neves Pinto, o amazonense é cinco centímetros mais baixo que o Madson, aquele toco de gente que mostrou algum talento no Vasco e começou a enganar todo mundo a partir da sua ida pro Santos. 

Foto: Danilo Mello

Fontes confiáveis revelam que já viram o Almirzinho tropeçar na parte de dentro do próprio calção durante uma partida do Amazonão 2011. É que os clubes do Estado ainda não investiram no mercado de uniformes teen.

3- Peito de pombo: as aventuras de Jardel no Amazonas

Tenho certeza de que os amigos internautas do Amazonas ou qualquer outra pessoa que conheceu essa história esperava vê-la no primeiro lugar deste top five. Pra você ver o nível, já chegamos na polêmica passagem de Jardel pelo Clube Atlético Rio Negro. Pra entender melhor o que aconteceu, é preciso voltar um pouco mais no tempo, em meados do segundo semestre de 2010. Prestes a montar o planejamento para o ano seguinte do Rio Negro, que na época disputava a segunda divisão local, o presidente do Galo, Eymar Godin, conheceu um empresário brasileiro que estava em Portugal. O sujeito se chama Robson Ouro Preto, que demonstrou ser um empreendedor emergente e que de alguma forma impressionou Godin apresentando uma proposta mirabolante para erguer o clube amazonense. O dirigente rionegrino não só aceitou como também privatizou o departamento de futebol do clube, que ficou nas mãos de Ouro Preto. A partir daí, começou uma avalanche de oba-oba no Galo da Praça da Saudade. Primeiro, o técnico português Paulo Morgado - que pelo simples fato de ser europeu foi considerado uma puta duma contratação - assina contrato com o alvinegro. Em seguida, o atacante Jardel, artilheiro implacável no futebol português do fim da década de 1990, foi anunciado como a grande contratação do clube, ainda em dezembro de 2010. Por fim, jogadores oriundos das divisões de base do Santos completaram o elenco rionegrino. Foi uma badalação só. Montado o circo, o grande palhaço dessa história toda começou a agir. Numa tentativa de justificar a péssima condição física do ex-craque Jardel, o novo dirigente disse que o atacante não estava com uma barriga saliente coisa nenhuma, mas que se tratava de um caso de peito de pombo  (ou pectus carinatum, para os cientistas de plantão), uma doença que causa deformação no osso do peito ou qualquer coisa do tipo. Mas o pior estava por vir.

Foto: Danilo Mello

O tempo passou, o campeonato começou, e nada de Jardel ser regularizado junto a CBF pra poder estrear no Rio Negro. Era a pegunta que não queria calar durante o mês de fevereiro. "E o Jardel? Joga quando?". Ele nunca jogou. E o peito de pombo poderia até se sair como inocente nessa história, não fosse sua principal frase após chegar em Manaus: "Vim para ajudar o futebol amazonense crescer". O curioso é que, no clássico entre Rio Negro e Nacional, lá pela terceira ou quarta rodada daquele torneio, o dito cujo apareceu nas arquibancadas do Estádio Ismael Benigno, no Sesi. Após ouvir da repórter da Tv A Crítica a pergunta que ecoava por toda cidade, ele gaguejou, culpou a CBF, culpou a Federação Amazonense de Futebol (FAF), só não culpou a Luíza, porque ela tava no Canadá e já até voltou. No grand final, ele soltou a seguinte: "Isso mostra que o futebol daqui ainda tem muito o que melhorar". Ué? Mas onde estava o salvador do futebol amazonense?
Acredite ou não, o Jardel foi apenas coadjuvante nessa história. Depois que todo mundo finalmente se tocou que aquele alvoroço todo não passava de uma mera supervalorização do que era medíocre, os problemas passaram a ir além da conta. Os jogadores do Rio Negro passaram o campeonato inteiro sem ver a cor do dinheiro prometido por Robson Ouro Preto, que segundo o presidente do clube, não cumpriu com nenhum item proposto no contrato de terceirização. Até a alimentação dos jogadores estava comprometida, o que fez com que torcedores do clube doassem 'ranchos' para o elenco pelo decorrer das semanas.


Foto: Danilo Mello

Tia Rosário Almeida, rionegrina fanática, com as sacolas cheias de comida pra entregar aos jogadores. O Ouro Preto ainda dizia que nem precisava disso e que eram só "frutinhas". Coincidentemente, o Rio Negro (o rio mesmo) acabara de sofrer a terceira maior seca de sua história, em outubro de 2010.

Agora dê uma olhada no vídeo em que o Jardel faz a declaração citada acima e tire suas próprias conclusões.




2- Se oração ganhasse jogo...


... o time que fosse treinado pelo técnico Carlos Prata seria sempre o campeão. Só bastaria ele ter ciência do seu dom divino e aprender a fazer os pedidos certos, mas que funciona, funciona! O milagre aconteceu no dia 2 de fevereiro de 2011, na segunda rodada do Campeonato Amazonense daquele ano. Transcorriam 35 minutos do primeiro tempo no jogo entre São Raimundo e Nacional, quando o atacante nacionalino Edinho Canutama foi derrubado na área pelo goleiro adversário. Capitão do time, o volante Jonas pegou a bola e se preparou para a cobrança. O momento era decisivo dentro de campo, mas as atenções de muitos estavam voltadas para o banco de reservas do Tufão, como é conhecido o São Raimundo. Carlos Prata se ajoelhou e começou a rezar. Uma atitude não tão incomum se não fosse levado em conta todo o ritual feito pelo treinador. Eis então que o cobrador do Nacional se posiciona, parte pra bola, chuta e...




Pra fora! Para o êxtase de Prata, que fez uma cara de choro mais feia que a do Ronaldinho fazendo careta numa dividida, flagrado pela super câmera lenta da Globo. O problema é que ele não foi esperto na prece. Provavelmente Carlos Prata pediu pra Deus apenas que o jogador adversário errasse a penalidade máxima. Isso aconteceu, mas, de qualquer forma, o São Raimundo perdeu por 2 a 0. O treinador poderia ser um pouquinho mais audacioso e ter pedido logo a vitória.

Agora, seu vídeo ainda tá carregado ai? Volta lá e dá uma olhada no uniforme do goleiro reserva do São Raimundo, quando ele aparece atrás do Carlos Prata. É pra Jorge Campos nenhum botar defeito.

1- Façanha heroica em Itacoatiara


Segure-se ai na cadeira do seu trabalho (porque eu sei que é onde você tá nesse momento) que essa vai pro "acredite se quiser". Foi na tarde do dia 11 de maio de 2011, penúltima rodada do segundo turno do Campeonato Amazonense. Chovia muito no Estádio Floro de Mendonça, no município de Itacoatiara (fica a 176 quilômetros a leste de Manaus), enquanto Penarol e Operário se enfrentavam. No segundo tempo, quando o jogo estava empatado em 0 a 0 e o Penarol já havia realizado suas três substituições, o zagueiro Lídio sofreu um corte no supercílio direito após uma dividida e foi levado imediatamente para o hospital. Um grande problema para o time, treinado por Uidemar Oliveira. O tempo passou, o jogo foi chegando ao seu final e o Penarol resistiu como pôde a pressão do adversário. Faltando 10 minutos para o fim da partida, todos foram surpreendidos por uma cena estranha. Um jogador com o uniforme do Penarol e com a cabeça toda enfaixada apareceu na beira do campo e tentou, freneticamente, chamar a atenção do árbitro. A displicência do homem do apito era compreensível, visto que o time já havia feito suas três alterações. Para o espanto de todos, o jogador era Lídio, que conseguiu retornar do hospital nos momentos finais do jogo. E a tarde dessa quarta-feira ainda reservava um momento inacreditável para a torcida do Penarol. No último lance do jogo, a bola foi lançada para a área. Lídio subiu mais alto que todo mundo e, com pontos no supercílio e tudo, cabeceou para o fundo do gol adversário. O zagueiro deu a vitória ao Penarol e, por mais que a imprensa amazonense pouco tivesse repercutido este feito na época, ele também entrou para a história.


Ah! Pra quem ainda tá estranhando a rapidez com a qual o Lídio voltou do hospital, é simples: ele fica bem ao lado do Estádio. O cabra rasgou o supercílio, foi levado rapidamente até a enfermaria e retornou para o Florão.
Depois desse jogo, acredito que falei por todos quando indaguei: Quem é Chuck Norris?

E esses foram cinco de muitos momentos inesquecíveis de 2011 enquanto a bola rolou no mato. E olha que ainda tem muita história por contar.

Já percebe-se que o futebol amazonense é igual a Sessão da Tarde, pois apesar de estar fraquinho há muitos anos, tem sempre uma turminha irada, que apronta altas confusões.

19 de jan. de 2012

... Que o jogo não é só de campeonato.

Prezados amigos internautas, é com imenso prazer que anuncio a todos o Bola pro mato, criado com o intuito de fornecer uma visão diferenciada do já diferenciado por si só futebol amazonense. Sabe-se que esse esporte anda desprestigiado e esquecido na região até mesmo pelos próprios manauaras, que em sua maioria têm preferência pelo futebol carioca, paulista e assim vai. Enquanto repórter esportivo de Manaus, é claro que a reversão desse quadro é de meu interesse, porém é muita pretensão querer mudar uma cultura tão sólida como a paixão do brasileiro pelo futebol num simples blog que mal foi criado. Portanto, o Bola pro Mato tem como objetivo popularizar as peculiaridades futebolísticas do Amazonas, sem deixar de ser atual. O caráter noticioso das matérias jornalísticas é substituído aqui por histórias e análises um tanto quanto bem-humoradas e talvez nunca pensadas ou compreendidas, mesmo por quem faz parte do meio. 

Então, voilà! Ainda nesta semana, duas postagens a respeito do Campeonato Amazonense 2012, que começa no sábado (28).

Quem não gostar do blog vai ganhar o Prêmio Sérgio Duarte.


                                          Eu ainda vou convencer todos de que ele se parece com o E.T.